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ANTONIO PEREIRA NETO
( BRASIL - CEARÁ )
Nasceu em Assaré, Ceará, em 1950.
É funcionário público e participa do grupo Ita.
Tem poemas publicados em várias antologias.
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SARAU AFRO MIX. ANTOLOGIA POÉTICA. Organizador: Quilombhoje. [coordenação Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. Desenho da capa Edmilson Q. Reis. São Paulo: Quilombhoje. Coordenadoria Especial dos Assuntos da População Negra. 2009. 80 p. Catalogação na fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.
ISBN 978-85-87138- 28-7 No. 10 947
Um Canto Novo
Eu quero cantar um canto novo
Não quero seja um cantão que encante
Um canto cantado pelo povo
Com destaque talvez significante
Que não tenha o mínimo preconceito
E possamos sentir o seu efeito
Com reflexo de amor e de bondade
Contrapondo o poder da arrogância
Pelo canto que tenha consonância
Numa busca incansável da verdade.
Não creio que um canto liberal
Seja um canto que tenha consistência
Quero um cantão que seja especial
E que possa atingir a consciência
Daqueles que dormem displicentes
Como dormem os pobres dependentes
São assim os que são manipulados
Não percebem os seus exploradores
Quando cantam só cantam dissabores
Mesmo assim permanecem conformados.
Pelo canto que canto é que percebo
São poucos que ouvem, que percebem
Para os outros não passo o que recebo
Como passam pra mim o que recebem
Não há troca recíproca no encontro
Há confronto talvez onde queremos
Embora de diferentes formas
Quebrando as regras e as normas
Pelos lados opostos que vivemos.
Se um canto de paz entre nações
Se fizesse ouvir por todas as raças
Se bradassem diversas multidões
O amor e a paz por todas as praças
Se não matassem crianças afegãs
Se crianças da África fossem sãs
Estaríamos livrando os continentes
Evitando que pobres infelizes
Assistissem morre em seus países
Milhares de vítimas inocentes.
Pior que a própria escravatura
É a mort que mata lentamente
Tendo um homem a morte prematura
Planejada de forma consistente
Entre dores, gemidos e os gritos
São traçados confrontos e conflitos
Sob efeito de máquinas poderosas
Que dizimam assim várias cidades
Sepultando as diversas liberdades
Sob miras de armas criminosas.
Lembramos Zumbi lá dos Palmares
E a luta de Antonio Conselheiro
Chico Mendes e tantos exemplares
Assim foi João Cândido Marinheiro
Que lutou defendendo a sua classe
Mostrando sua verdadeira face
Tendo sido herói entre os heróis
É esse canto que quero ouvir do povo
Como sendo de fato um canto novo
Daqueles que bradam a mesma voz.
Queremos que as instituições
Cumpram de fato seus papéis
Os estados se tornem direções
Não em mãos de governos infiéis
Mas de homens que cumpram seus deveres
Com amor e respeito pelo seres
Humanos que são hostilizados
Se as rendas não são distribuídas
Não existe respeito pelas vidas
Concluindo: não somos respeitados.
Exigimos o fim do preconceito
Entre raças, crenças e regime
Entendemos que só pelo respeito
Poderemos chegar à paz sublime
Quando o pobre tiver acesso à terra
E o rico avarento esquecer a guerra
Com certeza na mesa haverá pão
Ouviremos assim um canto novo
No coral ensaiado pelo povo
Pelo brado do fim da exploração.
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Página publicada em abril de 2026.
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